Testemunho de Neide (mãe da Fernanda)
Primeiramente agradeço a Deus por ter me dado uma filha tão maravilhosa; agradeço também, de coração, a todos os amigos dela; aos meus familiares; aos meus colegas de trabalho; aos meus vizinhos, enfim, a todos que compareceram no velório e manifestaram um gesto de carinho, solidariedade e compaixão.
Estava tudo tão bem, a minha filha trabalhando, fazendo um curso de Meio Ambiente, estava namorando, estava tão feliz... De repente, é como se uma pedra enorme viesse rolando do topo de uma montanha e acabasse com tudo, com nossos sonhos, com nossos planos...
Na sexta-feira do dia 21 de Maio, por volta das 5:20 da tarde eu estava decidida a ir à casa da minha mãe, mas por alguma razão, mudei de idéia e resolvi esperar por minha filha , que deveria chegar do trabalho logo mais.
Alguns minutos depois, chega correndo, dizendo que estava atrasada para o curso, pois tinha pouco tempo para tomar banho e sair. Ela entrou no banheiro aparentemente bem, mas quando saiu, já apresentava sinais de comprometimento na coordenação motora, com muita dificuldade de se manter de pé. A partir daí começou todo meu sofrimento, mas nem de longe suspeitei que se tratasse de um AVC. Levei minha filha ao Pronto Socorro acreditando que ela ia voltar comigo para casa, mas isso não aconteceu, e as últimas palavras que pude ouvir dela foi um recado para o namorado, pedindo-me que o avisasse onde ela estava. Eu ainda brinquei com ela. Ela deitada no banco traseiro do carro, com a cabeça sobre o colo de minha mãe, sorriu e depois disso não deu mais sinal. Ela sofreu uma parada cardíaca ainda no Pronto Socorro, e tudo o que pude fazer foi chorar. Chorar e invocar o nome de Deus, enquanto o médico e enfermeiros tentavam fazer a reanimação cardiopulmonar. Posteriormente, foi transferida para o CREI, e no dia seguinte para o hospital Santo Amaro de Guarujá, onde ela faleceu, na manhã da Segunda-feira do dia 24 de Maio. Parecia que ela estava esperando o pai e o irmão chegarem da viagem para se despedir. Viagem que por sinal, foi antecipada, pois, diante da circunstância, não tive como não avisá-los para que voltassem com urgência. Os dois chegando de viagem e ela partindo. Só que a viagem dela era para bem longe, bem distante, no infinito.
Eu não perdi só uma filha, perdi também uma companheira, uma amiga, uma cúmplice. Minha filhinha sofria de aneurisma e ninguém sabia... Só Deus sabia.
A lembrança é o que me restou. E falando em lembranças, meu filho encontrou em seu MP4 uma gravação que a Fernanda havia feito, pouco recente. Trata-se de um trecho de uma música góspel. Vejam:
“Peniel, saio daqui vencedor,
Peniel, levo essas marcas em mim,
Vou morrer, morrer pra mim mesmo,
E mudar minha história pra sempre”.
Meu Deus! Como me emocionei ao ouvir essa gravação. Parece tão profético.
Apesar de tudo o que aconteceu, eu só tenho motivos para agradecer a Deus. Entre outras coisas, por Ele ter me escolhido para ser mãe da Fernanda. Agradeço a Deus por ter me dado à oportunidade de estar ao lado dela neste momento. Com certeza eu estaria com um sentimento de culpa muito grande, e meu sofrimento seria muito maior se eu tivesse saído de casa e, ao chegar encontrasse-a já em óbito. Graças a Deus, isto não aconteceu, porque Ele fez com que se manifestasse em mim o desejo de esperar por ela. E pensando bem, minha filha teve uma passagem, tão em paz! Até pediu-me pra ficar tranqüila. Dá pra imaginar essa cena? Eu, aflita, desesperada, vestindo-a para levá-la ao Pronto Socorro, e ela tão serena, olha pra mim e diz: Fique tranqüila, mãe!
Acredito que Deus tinha um plano superior para ela. Que tudo que sonhamos aqui, se torna pequeno, perto do que Deus pode oferecer a ela, e isso me conforta. E me conforta também pensar que eu não me enganei, em acreditar que ela ia ficar bem e voltar para casa, pois, de fato ela está bem, e ela voltou para casa, mas não para a minha casa, e sim, para a casa do Pai. Do jeitinho que Deus me deu, Deus a levou: pura. Deve haver alguma razão que explique essa passagem tão precoce.
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| By: Anjo Missionário |